Como alçar a voz

Eu estava pensando comigo essa semana sobre o quanto eu comecei o canal no meu momento certo. Acho que nunca eu estive tão aberta para falar sobre mim mesma e sobre as coisas, nunca fez tanto sentido conseguir entender as coisas dentro de mim e ter um canal, ter uma voz onde eu possa dizer tudo o que acho possível e necessário. 

E olha que eu demorei 30 anos, 30 anos para conseguir me encontrar, de tal forma que eu me sentisse à vontade pra falar. O medo do que vão dizer, do julgamento de terceiros são umas das principais coisas que sempre nos prende, nos limita. Mas não só o medo à opinião pública, mas principalmente à paralisia frente às nossas próprias crenças limitantes. Desculpa esse meu momento couch aqui, mas é um tema que não só especialistas e terapeutas devem falar a respeito. 

A nossa própria mente é o que mais nos paralisa e nos auto-impomos coisas e crenças que não são reais.

E, mais uma vez, ter voz e se auto limitar não andam juntos. Mais do que nunca (mais uma vez o meu momento couch) ter voz tem sido fundamental.

Há um tempo atrás eu estava buscando e pensando muito sobre qual era o propósito da minha vida e eu cheguei à conclusão de que ser, apenas ser o que se é, é o grande propósito da vida.

Porque é tão difícil, é difícil se desvelar, se desvendar e se fazer notar. É difícil se desfazer dos medos, das crenças que nos impomos achando que os outros nos impõe, daquilo que lá na infância a nossa cabeça vai tomando como certo, como o correto a fazer e a seguir.

E isso poda tanto a nossa realidade. Eu nunca tive voz, a não ser escrevendo e ao mesmo tempo eu nunca quis uma voz porque eu não saberia o que fazer com ela.

Mas por outro lado, pensando em questões de personalidade, nunca foi tão crucial saber usar a sua voz. A sua voz quer dizer de você, do que é seu, do que é inerente. Eu estava durante muito tempo pensando que queria um canal, queria uma voz.

Então a gente vê todos os que tem voz por aí e pensa como poderíamos fazer igual, só que do nosso jeito, mas a questão maior é que cada um tem a sua personalidade, o seu estilo, o seu jeito de alçar a voz. Eu nunca soube alçar a voz para ser ouvida. Gritar? Gritar, nunca.

A minha voz foi sempre baixa, miúda cheia de medo. Eu nunca superei o medo de falar em público.

Mas ir aos poucos encontrando a própria personalidade nos leva a essa Odisséia que ao final nos permite ter voz.

Uma voz que é só nossa. Eu queria começar meu canal, mas estava preocupada, preocupada com o que eu iria falar. O que eu poderia mostrar? Um canal como todos os outros que tem por aí ou eu poderia simplesmente fazer como o que eu quero que seja, imprimir a minha voz, o meu estilo, a minha personalidade.

Sem seguir o Beabá dos que fizeram sucesso, mas acreditar finalmente o meu sucesso é estar conseguindo alçar a minha voz. 

Leave a Reply